Impossível conter minhas lágrimas na despedida...
Abraçada a minha amiga na porta de entrada do consultório de minha psicóloga...
Era hora da consulta e me recusava a entender que era o momento onde cada uma
seguiria seu caminho...
Eu deveria subir o elevador e encarar mais uma conversa
de catarse sozinha...
O estar só me fez congelar e sentir incapaz de tudo...
Lutei e cheguei até a cadeira para que diante dela, a
minha terapeuta, pudesse colocar o que houve, chorar, me rasgar na emoção e ela
disse:
- Você se sente impotente quando fica sozinha,
principalmente na hora de enfrentar seus maiores desafios. E no exato instante
em que percebe sua solidão, segura o seu pedaço de madeira para boiar no
oceano. Para que nadar até a beirada?
Garganta asfixiada...
Sem mesuras, ela continua:
- A causa desta angústia eterna em sua alma, dessa
dorzinha pontiaguda e insistente chama-se rejeição... Você dá voltas e voltas e
parece reagir, a ponto de achar que vai sair do buraco negro, mas se repete...
Cheguei em casa com a urgência de ouvir “Cavalgada das
Valquírias”, obra prima de Wagner em alto volume...
Catarse musical...
Lembro da majestosa cena de “Apocalipse Now” , filme de
Francis Ford Coppola, onde um coronel, na pele de Robert Duvall, amante do
surf, manda que um de seus soldados (um campeão do esporte) faça manobras
radicais enquanto a área é bombardeada por dezenas de metralhadoras acopladas
nos helicópteros...
E penso que é assim o seguir da vida... A Obra de Arte pode nascer dentro do Caos..

Nenhum comentário:
Postar um comentário