sábado, 12 de novembro de 2011

Obrigada, Foucault!


Existem sim inúmeras perguntas sobre as questões mais aterradoras da saúde das sociedades. Tenho muitas, mas o cerne central de várias delas esbarra na possibilidade de vivermos numa sociedade doente.
- Como atingir-se a saúde individual quando se vive no meio de uma sociedade doente em si mesma?
- Normalidade acaso seria igual a saúde?
- E se o padrão normal de comportamentos e atitudes de uma dada sociedade for doentio?

Desde a antigüidade o tema já é o preferido dos grandes filósofos. Criou-se a eterna discussão epistemológica sobre a questão, pulsante entre os pensadores contemporâneos. Dentre eles, Foucault é um mestre em minhas identificações.

Foucault afirma ser inútil tentar distingüir as terapêuticas físicas das psicológicas até o século XIX, pois a Psicologia não existia neste período. Foi apenas a partir daquela época que houve uma separação entre a experiência da loucura e seu componente orgânico. Foucault mergulhou na teoria psicanalítica de Freud que considerava a loucura em sua linguagem. Ele lançou um olhar mais acurado sobre aspectos psicológicos e significativos da expressão da loucura.

Tenho por hábito interagir com as conversas das pessoas em seu cotidiano, com as manchetes que leio nos veículos de comunicão, com os diálogos de personagens nas telenovelas ou seriados e por aí vai. Observo muitos discursos sobre as doença mentais. Muitas pessoas conversam umas com as outras sobre os problemas que enfrentam por ter algum tipo de transtorno ou pela convivência conflutuosa com um parente meio doido.

Ser taxada de louca, problemática, difícil, histérica, desequilibrada, por exemplo, não me agrada. Isso começou num momento pessoal, no auge de uma crise depressiva e me acompanha até hoje. As pessoas fazem uso destas e de outras descrições sempre que se defrontam com o meu dragão e sentem-se incapazes de agir.

Em nossa cultura, os discursos sociais têm sustentado a construção da doença mental como um fenômeno complexo e de difícil entendimento.

Consideradas pela medicina como psicossomáticas, suas causas são desconhecidas, assim como seus os sintomas da graduação variável de humor. O desenrolar se caracteriza pela existência de crises sucessivas. A vida em desatino...

Freud também fez sua pergunta a respeito da conversão histérica no texto “Tratamento Psíquico ou Mental”, em 1905:
- Quais são as causas pela qual o psíquico é afetado causando uma ação perturbadora sobre o físico?

Me identifico com o pensamento de Foucault (1963) no texto “O nascimento da clínica”, onde ele afirma que da mesma maneira que se devem buscar as origens da psicologia na loucura, a da clínica deve ser buscada na morte.

"...a velha lei aristotélica que interditava sobre o indivíduo o discurso científico foi levantada quando, na linguagem, a morte encontrou o lugar de seu conceito” (FOUCAULT, 1963-A, p. 195-196).

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