segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Obra de Arte e o Caos





Impossível conter minhas lágrimas na despedida... Abraçada a minha amiga na porta de entrada do consultório de minha psicóloga... Era hora da consulta e me recusava a entender que era o momento onde cada uma seguiria seu caminho...
Eu deveria subir o elevador e encarar mais uma conversa de catarse sozinha...
O estar só me fez congelar e sentir incapaz de tudo...
Lutei e cheguei até a cadeira para que diante dela, a minha terapeuta, pudesse colocar o que houve, chorar, me rasgar na emoção e ela disse:
- Você se sente impotente quando fica sozinha, principalmente na hora de enfrentar seus maiores desafios. E no exato instante em que percebe sua solidão, segura o seu pedaço de madeira para boiar no oceano. Para que nadar até a beirada?
Garganta asfixiada...
Sem mesuras, ela continua:
- A causa desta angústia eterna em sua alma, dessa dorzinha pontiaguda e insistente chama-se rejeição... Você dá voltas e voltas e parece reagir, a ponto de achar que vai sair do buraco negro, mas se repete...
Cheguei em casa com a urgência de ouvir “Cavalgada das Valquírias”, obra prima de Wagner em alto volume...
Catarse musical...
Lembro da majestosa cena de “Apocalipse Now” , filme de Francis Ford Coppola, onde um coronel, na pele de Robert Duvall, amante do surf, manda que um de seus soldados (um campeão do esporte) faça manobras radicais enquanto a área é bombardeada por dezenas de metralhadoras acopladas nos helicópteros...
E penso que é assim o seguir da vida...  A Obra de Arte pode nascer dentro do Caos..

sábado, 17 de dezembro de 2011

Incessante




Sou daquelas que pensam sem parar... Minha mente é receptiva por demais e capto mil coisas ao mesmo tempo... Geralmente, elas nada têm em comum...
O ritmo é frenético... As vezes, meio assustador... Envolta em conflitos emocionais, escolho o novo caminho mesmo sem saber bem aonde ele vai me levar...
Sem medo...
Envolvo a bela taça cor de rosa com meus dedos e provo o suave cabernet, delicioso... Fecho os meus olhos para engolir o vinho... Neste momento, o gosto do vinho acende minha mente fervilhante e é a amiga e musa inspiradora, Clarice Lispector, quem me visita:

“Amanheci em cólera...Não, não, o mundo não me agrada... A maioria das pessoas está morta e não sabe, ou está viva com o charlatanismo...
   E o AMOR, em vez de dar, EXIGE.
   E quem gosta de nós quer que sejamos alguma     
   coisa de que eles precisam.
  Mentir dá remorsos... E não mentir é um dom que o mundo não merece...”

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Paixão de Clarice Lispector




Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você- não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia e ia ser punida e iria para um inferno qualquer.

Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu sabe. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma...
  
Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso – nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. 


Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões – cortei em mim a forma que podriria fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. 

Friedrich Nietzsche sempre me desafiou...




Com exatos dezesseis anos o descobri e fiz meu pacto silencioso de fidelidade literária...

 “ O conhecimento não é transcendente, o homem é criador de seus valores. O homem interpreta e dá um sentido humano às coisas, o resultado é o mundo articulado. O conhecimento foi inventado em um minuto, em relação aos cosmos, pelo homem. Foi um minuto mentiroso. A verdade é procurada para ser válida e comum e a linguagem dá as primeiras leis da verdade. A verdade e a mentira seriam relativas, válidas para o ponto de vista humano.

Para Nietzsche, a verdade se tornou uma multidão de metáforas e metonímias, ou seja, relações humanas. Mas elas parecem objetivas e incriadas. O autor fez todas essas considerações no ensaio “Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral”, (1873), um dos textos mais viscerais que já li na vida.

Minhas considerações:

Quanto mais conhecimento tem um homem mais ele é questionado. Todos fingem e quando aparece um com a intenção de contar os fatos reais, ele corre certos riscos, inclusive o de ter a sociedade contra o que ele afirma sobre as máscaras.

Melhor maneira de combater quem questiona é calar. Depois da nuvem, pronuncia-se a reversão...

A ilusão mata o instinto de verdade, honesto e puro. Porque tais homens estão mergulhados nas ilusões e em seus devaneios inalcançavéis... O superficial... A escolha de andar com os olhos vendados no dorso das coisas....

Superficialidade...
O homem é capaz de se aceitar?

Depende... Alguns enraizam a questão e passam a refletir... Mas o que o homem sabe sobre si?

Cela... Consciência adormecida... Em determinado momento, aquela que repousa entende a despeito da ignorância... Nestas condições, haveria no mundo um lugar onde o instinto da verdade pudesse existir?

Os homens fogem da verdade e se apegam ao fato de que uma mentirinha conveniente é a escolha confortável... Enquanto me pergunto o tempo todo sobre a essência humana, alguns deles realmente só absorvem as “coisas” e as bases onde foram alicerçadas as suas “verdades”...

É a linguagem? Acredito no poder das palavras e costumo selecioná-las numa sequência inteligente e fundamentada.. Um dom... Saber construir a ordem das palavras pode transformar tudo...

A retórica do discurso tem o poder de apaziguar os ânimos ou de atear fogo na fogueira..

Que delimitações arbitrárias, que parcialidade é preferir ora uma, ora outra propriedade de uma coisa

Alguns percebem as mensagens em sua complexitude, outros nas entrelinhas.. Não importa... Vale o compartilhar de uma mensagem aos que ainda são capazes de negar o óbvio...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aspectos Essenciais




Insensibilidade aos sentimentos alheios

Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.

Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente quando é do seu interesse, mas dificilmente é capaz de mantê-los.

Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas.

Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de aprender com as punições.

Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos, porém improváveis.

Depois de ler e selecionar alguns dos pontos que mais se assemelham, o que me dizem disso?

 

Meu sarcasmo....