segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Distraídos, Hiperativos, Impulsivos...





“Tenho andado distraído, Impaciente e indeciso e ainda estou confuso, Só que agora é diferente: Sou tão tranquilo e tão contente...”
Renato Russo


Em 1902, George Stil, médico inglês, fez a primeira descrição do comportamento de um portador de TDAH. Porém, por muito tempo, este  transtorno foi atribuído somente a crianças e não a adultos, como hoje tem sido em índices cada vez mais crescentes.

O TDAH se caracteriza basicamente por três sintomas: Desatenção, Impulsividade e Hiperatividade. São três as formas de apresentação do TDAH : predominantemente Hiperativo - Impulsivo, Combinado e predominantemente Desatento.

Alguns sintomas e características do TDAH podem ser mais facilmente identificados considerando os oito fatores que incluem o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em Adultos a saber:

1. Desatenção: Os adultos portadores de TDAH apresentam dificuldades para se concentrar em várias coisas. No trabalho encontram problemas para permanecer focados em uma determinada tarefa e por vezes não conseguem finalizá-la. Em casa podem não ter controle dos afazeres domésticos e passam de um projeto a outro sem terminar nenhum deles. Em situações sociais podem sofrer grande constrangimento por não conseguirem se concentrar em conversas e provocarem no outro a sensação de desinteresse e tédio.

2. Impulsividade: Em adultos é mais restrita que em crianças. Em situações sociais onde as demais pessoas não são muito conhecidas, os portadores de TDAH se forçam a manter o autocontrole, mas sentem um imenso desconforto devido ao medo constante do que podem fazer ou dizer. Quando a situação envolve pessoas conhecidas, esses adultos muitas vezes mostram uma tendência a interromper os outros, deixam escapar comentários inadequados, falam muito alto ou até mesmo gritam.

3. Dificuldade em esperar ser atendido: Tem relação com a impulsividade. Este traço provoca a sensação de impaciência e intensa frustração no portador de TDAH quando ele precisa esperar e pensar. O adulto portador também pode demonstrar impaciência para tarefas cotidianas, tais como controlar um talão de cheques, preencher e arquivar formulários, pagar contas, administrar dinheiro e cartões de crédito ou até mesmo ler uma revista.

4. Superexcitação emocional: Os adultos com TDAH apresentam acessos de mau humor de forma mais restrita quando estão em público do que crianças, no entanto estes ainda podem ser intimidadores para as outras pessoas. No trabalho estes adultos podem causar a impressão de serem mal-humorados e irritáveis. Em casa, o mau humor atinge o cônjuge e os filhos. No caso de pais portadores de TDAH que têm filhos também portadores do transtorno, é possível que o quadro deste último seja agravado em virtude da baixa tolerância do primeiro.

5. Hiperatividade: A hiperatividade motora bruta pode ser substituída por uma agitação ou inquietação geral e em alguns adultos a hiperatividade assume uma forma verbal.

6. Desobediência: Na fase adulta, portadores de TDAH apresentam menos problemas em seguir regras e isto pode ser devido ao fato de que como adultos enfrentam menos situações nas quais outros têm de lhe dizer o que fazer. No entanto, estudos indicam que até 25% dos adultos com TDAH podem ter sérios problemas de conduta anti-social.

7. Problemas sociais: Muitos adultos com TDAH sentem-se isolados e solitários, pois para alguns deles é difícil manter relacionamentos de longa duração, principalmente devido ao mau humor freqüente e comportamento “mandão”.

8. Desorganização: Os adultos portadores podem ter problemas com datas, horários e compromissos. No trabalho, tende à procrastinação de tarefas que julgam desinteressantes e/ou desagradáveis, o que pode causar significativas confusões e constrangimentos.

Depressão é a tristeza quando não acaba mais



Depressão é uma doença que ataca tão subrepticiamente, que a maioria dos que sofrem dela nem percebem que estão doentes. De cada dez pessoas que procuram o médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o seu diagnóstico. Ela evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração.
Nos casos mais simples, a pessoa pode curar-se por conta própria em duas a quatro semanas. Passado esse período sem haver melhora, os especialistas recomendam atenção e tratamento, porque a depressão prolongada pode levar a suicídio e mortes por causas naturais.
Para ajudá-lo a identificar os sintomas da depressão acompanhe o algoritmo abaixo, retirado da quarta edição do “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV):
1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?
2)Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?
 Sim 
 Não
 Sim 
 Não
Se a resposta foi não a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi sim, esteja atento a outros sintomas da doença.

O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomasque incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.
1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.
De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Te Amo, Amiga!!!!




Minha melhor amiga tem a difícil tarefa de de conviver diariamente com as alternâncias de fases causadas pelo transtorno bipolar. No entanto, pior do que transitar constantemente entre inúmeras mudanças de humor, comportamento e ritmos, é ouvir opiniões completamente equivocadas de pessoas sobre suas nuances.

Tais comentários são geralmente feitos por pessoas  completamente ignorantes no assunto a ponto de achar que ela sofre de esquizofrenia, como ela me contou em nossa última conversa.

E isso não é um privilégio só dela, muitos dos que são acometidos pela bipolaridade ou outros tipos de transtornos sofrem com a mesma invasão e falta de respeito, porque é assim que eu considero uma atitude tão ofensiva.

O médico e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo Valentim Gentil Filho concedeu uma excelente entrevista ao Dr. Drauzio Varella e vale citar alguns momentos no intuito de elucidar os que desconhecem a realidade.


CONHECENDO O INIMIGO

No passado, o transtorno bipolar era conhecido pelo nome de psicose maníaco-depressiva, uma doença psiquiátrica caracterizada por alternância de fases de depressão e de hiperexcitabilidade ou mania.
Sabe-se que os transtornos bipolares estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro, que possui áreas fundamentais para o processamento de emoções, motivação e recompensas. É o caso do lobo pré-frontal e da amígdala. Junto dela, está o hipocampo que é de vital importância para a memória. A proximidade dessas duas áreas explica por que não se perdem as lembranças de grande conteúdo emocional. Por isso, jamais nos esquecemos de acontecimentos que marcaram nossas vidas.
Outro componente envolvido com os transtornos bipolares é a produção de serotonina no tronco-cerebral (o cérebro arcaico), uma substância imprescindível para o funcionamento harmonioso do cérebro.
DISCUTINDO A NOMENCLATURA

Drauzio  Por que, nos anos 1980, a antiga psicose maníaco-depressiva passou a chamar-se transtorno bipolar?

Valentim
– Analisando separadamente os elementos que compõem esse nome, pode-se dizer que a palavra psicose carrega a conotação de estigma, isto é, de marca infamante, vergonhosa. Maníaco, por sua vez, é um termo técnico derivado do grego e significa loucura. Depressivo era o termo mais brando dos três e que menos impacto causava. Por isso, considerou-se que a expressão psicose maníaco-depressiva era pesada demais para designar uma doença que, de certa forma, não era tão terrível quanto o nome fazia supor. A mudança de nomenclatura ocorreu, então, para diminuir o estigma e para estabelecer distinção entre esse tipo de transtorno e as depressões unipolares que nunca evoluem para a fase de euforia, de mania ou hipomania. Além disso, essa distinção foi importante para verificar se biologicamente as patologias eram diferentes e, portanto, exigiam condutas especiais de tratamento.

POSSIBILIDADES DE TRATAMENTO

Drauzio Há tratamentos eficazes para o transtorno bipolar?

Valentim
– Há tratamentos tão eficazes quanto os existentes em qualquer outra área da medicina. Sua aplicação possibilita, em poucas semanas, reverter um quadro grave de euforia. A doença não tem cura, mas as pessoas melhoram, recebem alta e reassumem suas atividades. O risco de recaída ou de evoluir para depressão existe e é preciso estar atento ao uso de medicamentos antidepressivos que, embora eficazes, podem precipitar uma virada indesejável para a euforia ou acelerar a frequência das crises.

EUFORIA PATOLÓGICA

Drauzio  Todos atravessamos na vida fases de grande euforia e de grandes tristezas. Como diferenciar o quadro normal do patológico?


Valentim
– Em psiquiatria, os termos ainda não atingiram a especificidade necessária. Por exemplo, etimologicamente, a palavra euforia quer dizer humor normal, bom humor. Se o indivíduo está eufórico no carnaval, no dia do aniversário ou porque ganhou um prêmio ou um campeonato, isso nada tem de anormal nem de patológico. O que chama a atenção é a desproporção entre as circunstâncias e as reações, ou seja, o comportamento é desproporcional aos fatos ou inadequado ao ambiente. A pessoa está alegre e eufórica, quando nada ao redor justifica tais sentimentos. Como sua autocrítica está comprometida, age como se estivesse (e não está) sob o efeito do álcool ou de drogas. Seu pensamento fica acelerado e desorganiza-se de tal modo que os assuntos surgem em tumulto e é difícil acompanhar sua linha de raciocínio.

1:56 da madrugada com meu amigo House





Assisti aos dois últimos blocos de um dos episódios da oitava temporada de “House” neste exato momento e choro como uma adolescente durante a cena de encerramento...

Durante um período de experiência, onde Dr. House avalia os novos candidatos para ocuparem vagas em sua equipe, ele chama uma das médicas... Ela é uma dessas mulheres comuns, como a maioria, marcada por inúmeras chagas vindas de uma relação humilhante com um ex-marido cafajeste...

Assim que ela entra na sala, House a ajuda a vestir um jaleco e depois dá parabéns... Fica claro que ela conseguiu uma das vagas... Doravante, ele vai além... Depois de uma pesquisa sobre o passado da candidata, ele usa seu sarcasmo para desvendar o mistério daquela médica tão forte e sagaz que ao mesmo tempo se mostra insegura e fútil...

E no exato momento onde ele a encosta na parede, ela o olha firme antes de desvendar o segredo com uma sinceridade inquestionável...

Nessa hora, eu chorei... Me identifiquei com ela e adoraria que um homem deste porte me desse um taco de baseball nas mãos depois de me perguntar se eu ainda nutro alguma raiva, rancor ou sentimentos negativos sobre coisas do passado e me dizesse que a mobília do consultório está paga...

Ela pega o taco e destrói... Ele? Coloca um óculos especial, senta-se numa cadeira e assiste a cena com um sorriso de satisfação em seu rosto... Um algoz... Um grande amigo...