Em minhas últimas sessões com a psiquiatra, questionei bastante a forma como atuo em minhas relacões interpessoais em seu sentido mais amplo... Não falo apenas de amor e relação à dois, mais de todas elas... Expliquei a ela que amo, me dedico, me entrego e que no meio do nada um raio cai em minha cabeça e eu me transformo...
É como se uma espécie de véu negro embassasse
tudo e me impedisse de continuar a crer nos elogios dos meus chefes, nas palavras
doces que o parceiro me diz, nas declarações feitas, em nada... Esse processo
não acontece à toa, vem sempre atrelado a um fato que custa a descer em minha
garganta...
Depois de me abrir e pontuar algumas
situações já vividas ao longo de minha trajetória, ela me lançou um olhar
enigmático e me arguiu... Fez uma série de perguntas, só que desta vez sobre a
minha maneira de agir, pois até então eu só havia comentado o meu ponto de
vista...
Suas perguntas me levaram a uma busca
interna de respostas, afinal toda a história tem dois lados, assim como uma
moeda.
Tarefa difícil conviver com uma mulher que
vive oscilando entre o seu lado doce e o seu lado fera... Sou assim... Viro de
ponta-cabeça em questão de minutos e não é qualquer um que dá conta do
recado...
Minha psiquiatra recomendou-me a leitura de
um livro chamado Mentes Inquietas, de
Ana Beatriz Silva.... Comprei o livro e realmente me identifiquei com várias
colocações da autora...
Ela coloca que a forma de amar é influenciada
pela tríade: desatenção, hiperatividade
e impulsividade. "Em todos os casos sobra emoção e quase sempre falta
razão". Mentes inquietas parecem não possuir nenhum pequeno espaço para
abrigar a velha e cansada amiga Razão". (SILVA, 2003, p. 72). A pessoa com hiperatividade física aliada à
impulsividade assemelha-se a um grande "tornado" apaixonado. É capaz
de conhecer alguém, apaixonar-se, casar, brigar, odiar, separar, divorciar e
tornar a casar-se tudo em menos de um mês. Tendem a sentir todas as emoções de
modo mais intenso. Quando se apaixonam, toda sua atenção volta-se para esse
sentimento sem que possam controlar tal impulso, ficam cegos de paixão.
Já as pessoas que não possuem tanta
hiperatividade física e impulsividade tendem a apaixonar-se à moda antiga,
transformam o objeto de paixão em um ser idealizado. Amam, no interior de suas
mentes, mas não conseguem colocar em prática todas as coisas que vivem em seus
pensamentos. Muitas vezes seus parceiros nem sabem ou imaginam que são objetos
de tão nobres sentimentos.
Toda essa emoção tende a transformar-se em
poesia, obras literárias ou músicas. Clássico exemplo dessa forma de amar, de
uma pessoa com comportamento hiperativo do tipo desatento.
Eis que chego no capítulo “passada a paixão inicial”...
Eis que chego no capítulo “passada a paixão inicial”...
Li, reli e pensei que a tarefa mais árdua para os que fazem parte do meu dia a dia, do meu mundo particular era estabelecer uma convivência pacífica para que a relação fosse duradoura e baseada no respeito mútuo. No entanto, quando essa paixão é diluída por situações que me desagradam, fica impraticável manter a chama que tanto necessito para amar, trabalhar, estar entre amigos... Repito aqui que todo mundo tem dois lados, assim como a moeda e cabe a quem quiser estar por perto captar minhas nuances e respeitá-las...
Alguns optam pelo silêncio para evitar conflitos,
outros seguram as pontas até a página vinte e, depois, enumeram os defeitos dessa minha grande dose de afetividade... Particularmente,
prefiro os que não fazem nem uma coisa, nem outra... Gosto mais daqueles que replicam
de imediato o que lhes desagrada.. Tem muito mais a ver comigo... De simples, nada tenho...
E qual seria a solução ideal? É a pergunta
do dia.
Cito aqui um trecho de um poema de Caio Fernando
Abreu, que conviveu com sua bipolaridade e inúmeras crises depressivas e não se
calou:
"Nunca notou que as mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja Feliz."
"Nunca notou que as mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja Feliz."

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